Em 2006 quando Buraka Som Sistema mostrou ao mundo o que se podia fazer com a estrutura rítmica do Kuduro, uma nova sonoridade acabava de nascer. Não era bem kuduro e não era bem o resto dos géneros que se podiam identificar nos temas de BSS. Era então necessário encontrar um novo nome. Mas o vazio continua. Ninguém conseguiu até à data classificar com exactidão essa nova vaga de musica electrónica.

Em alguns sectores desse movimento alguém decidiu um dia dominar de “Global Dance Music”. Existe o termo “Tropical Beats” devido à influência caribenha em géneros como o UK Funk mas para muitos continua a ser a crueza do Kuduro e a forma como Buraka a expôs na sua musica que fez com que nos voltássemos mais uma vez para África em busca de inspiração.

O projecto HARD ASS SESSIONS vem trazer luz a essa realidade e ao invés dos nos perdermos a encontrar um nome para esta sonoridade, decidimos complicar um pouco a coisa e desafiamos vários músicos e produtores a criarem temas originais partindo do mote de apresentarem a sua própria interpretação desse ritmo que é o kuduro, acrescentado ou retirando elementos que funcionariam nos sets para a pista de dança de cada um destes produtores.

Até os entendidos na matéria classificarem esse género vamos chamar-lhe HARD ASS!


HARD ASS SESSIONS VOLUME VI

BRENMAR/KRY WOLF/CARDOPUSHER/SCHLACHTHOFBRONX

Data de Lançamento – 25 de Julho 2011

A editora portuguesa que deu Buraka Som Sistema ao mundo acaba de lançar o sexto episódio de uma série de discos que já incluiu nomes tão relevantes do bass global como Bok Bok, Seiji, Kingdom ou Douster, assim como os portugueses Zombies For Money ou até o próprio J-Wow. Falamos da Enchufada, claro.

Em “Hard Ass Sessions Vol. VI” a receita mantém-se igual mas o prato parece ganhar ainda mais sabor. Esta série consiste num desafio que a Enchufada lança aos mais variados produtores, pedindo-lhes que lhes mostrem a sua interpretação do que é o fenómeno do kuduro, resultando nos híbridos mais improváveis vindos dos quatro cantos do mundo.

Abrimos com Brenmar e o seu “Waiting On”, um tema que concilia uma estrutura rítmica do kuduro com as vozes e sintetizadores de um eterno apaixonado pelo R&B e demais géneros urbanos americanos. O nova-iorquino confessa que produzir aos tempos acelerados que o kuduro exige não foi um grande desafio, visto que “há muito hip-hop do Sul a esse tempo (…) que é de onde retirei a voz”, equilibrando tudo com melodias que associa ao house.

De Nova-Iorque saltamos para Londres, de onde são os Kry Wolf que aqui contribuem com o seu “Picadinho di Pedalina”. Esta dupla britânica sempre foi difícil de categorizar, movendo-se com liberdade entre o electro, o house e a bass music, fazendo deles candidatos ideais ao desafio da Enchufada. Confessando-se fãs do kuduro em geral e de Buraka em particular, dizem que este convite foi “uma honra”.

A viagem continua e agora estamos algures entre Caracas e Barcelona com Cardopusher, o produtor venezuelano que acabou de lançar o sólido “Yr Fifteen Minutes Are Up” e que participou no EP “Tax Haven 2″da editora luso-espanhola Iberian Records, juntamente com Octa Push. Conhecido como um camaleão musical, já seria de esperar que da sua participação saísse algo invulgar, mas esta interpretação acelerada e electrificada da cumbia e demais ritmos sul-americanos que ouvimos em “Tu Bizcochito” excedeu as nossas expectativas. Os samples pornográficos só ajudarão a aumentar ainda mais os sorrisos quando este tema for soltado numa pista cheia.

Finalmente temos o tema “Backup Run” dos Schlachthofbronx, produtores alemães associados à editora Mad Decent de Diplo. Firmemente assentes na corrente do bass globalizado, o kuduro não é novidade para os naturais da Bavária, que afirmam ter sido “influenciados por este ritmo e estética em faixas anteriores”. Contrastando com a construção habitual do kuduro, os germânicos apostaram em grandes quebras, muitas sirenes e todo um feeling de fim de noite numa pista cheia e suada.

Review da Hard Ass Sessions – Volume VI com Brenmar/Kry Wolf/Cardopusher/Schlachthofbronx na FACT Magazine PT

Tracklisting:

1.Brenmar – Waiting On
2.Kry Wolf – Picadinho Di Pedalina
3.Cardopusher – Tu Bizcochito
4.Schlachthofbronx – Backup Run


AS HARD ASS SESSIONS ESTÃO DE VOLTA… EIS O VOL.3!

Depois de ter convidado produtores como BAOBINGA, OCTA PUSH, NIC SARNO, BOK BOK, DOUSTER e ZOMBIES FOR MONEY, a Enchufada continua a desafiar artistas a criarem a sua própria visão do que é o Kuduro.

No Volume 3 temos J-WOW (dos Buraka Som Sistema) e Toy Selectah (Mad Decent) numa

mistura de Cumbia e Kuduro nunca antes feita (pensem num jogo de ping-pong entre África e a América do Sul, em pleno Oceano Atlântico), temos Oliver Twizt e Rockid a transformarem toda a energia do House Holandês em Kuduro (ENORME!), temos Melé a aplicar toda a sua aprendizagem das aulas Londrinas de 140bpm e o WILDLIFE! a flirtar com o techno de uma forma bastante respeitável.

Melé (UK)

Track – Kanopa Riddim

- Sou um produtor de 18 anos, vindo de Merseyside, Inglaterra. Produzo uma mescla de House e Garage. Produzo musica desde os meus 13 anos, fui bastante influenciado pelo hardcore do inicio dos 90 e pelo garage do final da mesma década, no inicio da minha carreira. Já fiz remisturas para artistas como Skepta, Greenmoney, The Count e Sinden & New Young Pony Club, bem como tenho um EP a ser editado pela editor do Sinden, a Grizzly.

-Fiquei realmente motivado quando fui convidado para fazer uma música para esta compilação, uma vez que sempre gostei de me desafiar a fazer uma música inspirada no Kuduro. Não poderia ter sido mais oportuno.

- 5 músicas que estou a sentir ultimamente: FIS T – Deep Mover; C.R.S.T – Dial The Operator; MENSAH – 1986 Was The Future; CARTE BLANCHE – Gare Du Nord; USHER Ft NICKI MINAJ – Little Freak

Oliver Twizt (NL)

Track – Wanna be Gangstas (with DJ ROCKID)

- O meu nome é Oliver Twizt e sou um produtor/dj vindo da Holanda. Posso definer o meu som como sendo batidas energéticas feitas para a festa, com laivos de hip hop-electronic-agressivo. O meu objectivo é fazer renascer o HIPHOP, mas numa versão de 128 bpms.

- Sempre fui fã de Buraka Som Sistema (toquei tantas vezes o Essential Mix que fizeram para a BBC!!!), por isso foi realmente uma surpresa quando recebi o convite! Como facilmente se pode perceber através das minhas anteriores músicas, tenho influências de Kuduro nas minhas produções. No início dos 90 tivemos um estilo similar nas rias, um pouco por toda a Holanda, chamado “bubbling”. Para mim, “bubbling” era uma combinação do dancehall (140 bpm) com samples de “Sranang Pokoe” (musica tradicional do Suriname). Os meus pais sempre tocaram musica do Suriname quando era miúdo e mais tarde, o bubbling apanhou-me. Por isso, desde sempre convivi com estes ritmos percussivos e energéticos. Imagino por isso que fazer Kuduro sempre esteve em mim e esta foi a oportunidade para o deixar sair!

- 5 músicas que estou a sentir ultimamente: OLIVER TWIZT ft MALUCA – Loca; BART B MORE- Brap; CALI SWAG DISTRICT – Teach me how to dougie; DJEDJOTRONIC – Bit This Thin; SHM- One (Congorock mix)

WILDLIFE! (CH)

Track – Metazoa

- Sou um produtor/Dj sediado na Suiça, que geralmente trabalha nos pequenos espaços entre o dancehall, a synth pop, a new wave ou mesmo o punk rock e todos os tipos de música que a electrónica de clube abrange. Tenho estado a trabalhar numa série de projectos com o cantor Jamaicano – Terry Lynn e a fazer remisturas para artistas como The Very Best, Edu K, Act Yo Age, Poirier ou mesmo os franceses The Dø. Editei o meu primeiro EP “Jumbie” no final de 2009 e o meu novo EP “BUCKUP”, uma viagem futurista pela era dourada do reggae/dancehall, será editado até final do ano.

- Os ritmos Africanos sempre tiveram uma enorme influência nas minhas produções, mas na verdade nunca tinha trabalhado em nada com mais de 130 BPMs, por isso esta abordagem ao Kuduro acabou por ser uma viagem por terra incógnita. Tentei captar uma abordagem negra, repetitiva e entrançado, e combiná-la com padrões de ritmos influenciados pelo Kuduro. O resultado foi este ”Metazoa”.

- 5 músicas que estou a sentir neste momento: Kink – E79; L-VIS 1990 – Reprise; BOW WOW WOW – Golly! Golly! Go Buddy!; POPCAAN – Up Inna Di Club (Street Vybz Riddim); BAMBOUNOU – Nappy Head (French Fries Remix)

TOY SELECTAH (MX)

Track – Mo’Chaxo

Até altura deste post, não foi possível receber as impressões do Toy Selectah por este se encontrar em tournée. Mas fiquem atentos pois a qualquer momento as iremos publicar.

Tracklist

01 – MO’CHAXO – J-WOW & Toy Selectah

02 – KANOPA RIDDIM – Melé

03 – WANNA BE GANGSTAS – Oliver Twizt & DJ Rockid

04 – METAZOA – WILDLIFE!

J-WOW & Toy Selectah – Mo’ chaxo (Radio edit) by J-WOW

Apresentamo-vos: HARD ASS SESSIONS volume II

Após um primeiro volume inteiramente dedicado ao kudurista angolano DJ Znobia, agora lançamos o desafio a dj’s e produtores de diversos géneros musicais a fazer um beat de Kuduro.

Em vez de longas e entediantes biografias que facilmente consegues encontrar na net, pedimos aos próprios que se apresentassem, que falassem sobre como foi para eles aceitar este desafio e quais os temas que não lhes sai actualmente da cabeça. Eis o que disseram:

NIC SARNO (Italia)

Tema – “Mana Wasa”

- O meu nome é Nic Sarno e sou italiano. Comecei como DJ por volta dos meus 13 anos, a passar música com amigos em minha casa, com duas mesas estragadas, a fumar erva e a ouvir italodisco, hip hop, Sex Pistols e Michael Jackson. Depois vieram as primeiras noites de clube e aos poucos a minha selecção musical foi ficando afiada…fui percebendo que havia todo um Mundo de música nova feita propositadamente para ser tocada, e lojas especializadas para Djs. Com 16, 17 anos, comecei a tocar em clubes pequenos e raves ilegais, e às tantas este jogo transforma-se num emprego sério.

Nessa altura, o meu saco andava cheio de discos de Trax, Djaxx Up Beats, Hi Bias, Stricktly Rythm, Power Trax…estava totalmente dentro da cena Acid House. Depois também entrei nas cenas da R&S Rec e da Warp, como Joey Beltram, Aphex Twin ou LFO…este foi um grande período para a música de dança, para lá de géneros ou fronteiras…um pouco como nos dias que correm. O trabalho de produção chegou mais tarde…mas da mesma forma: a brincar com samples e synths, sem grades premissas sobre o que produzir.

- Foi um prazer fazer esta participação. Estou sempre por dentro do que os Buraka vão fazendo…eles inspiram-me…e a ideia de me confrontar a mim mesmo com estilos diferentes atrai-me bastante. Sempre me defini como um Dj de música Dance e não como um DJ de Techno, House ou outra coisa qualquer…acho que essa é a verdadeira essência de se ser um Dj – MISTURAR COISAS DIFERENTES e tentar dar-lhes um sentido.

- 5 temas que oiço actualmente: GONJASUFI – Kowboyz And Indians; STARKEY – Alienstyles

CARIBOU – Sun; MARCUS PRICE & CARLI – Var e Naaaken ( Bok Bok rmx); IL TEATRO DEGLI ORRORI – E’ Colpa Mia

BOK BOK (Reino Unido)

Tema – “Dance Report”

- Sou o Bok Bok, um produtor e Dj do sul de Londres. As minhas músicas vivem em Tron.

Sou co-fundador e chefe do clube e editora Night Slugs, juntamente com o L–Vis 1990. Faço música house e comecei a tocar Grime há alguns anos atrás, estilo que define 100% a minha estética actual.

- Quando fiz “Dance Report” tive que mergulhar num tipo de Groove totalmente diferente daquele que me é familiar. Adoro a estética alienígena do Kuduro puro e na minha música tentei canalizar isso para uma forma próxima de ritmos 3/4, compressão massiva e um Groove repetitivo e hipnótico. Não é a minha abordagem normal, mas vejo o “Dance Report” como um encontro do meu estilo Grime House e o kuduro, de alguma forma mais doce.

- 5 temas que ouço actualmente: LIL SILVA – Perfussion; GIRL UNIT – IRL; L-VIS 1990 – Forever You; IKONIKA – Look (Final Boss Stage); GUIDO – Mad Sax

Douster (FR)

Track – A Mi a Louco

- Sou um Produtor/Dj de Lyon que gosta de misturar um pouco de tudo, desde o Dancehall ao House, do Cumbia ao Gabber… E a minha música acaba por reflectir todas essas influências – tanto posso fazer um House estúpido, como cenas da viagem Caribeana tribal, como Rap…gosto de tudo! Tenho músicas editadas numa série de editoras diferentes: ZZK Records (reis Argentinos do Novo Cumbia), Sound Pelegrino (os salvadores do House Parisiense) e Bebup (uma espécie de empresa familiar criada por mim, Jay Weed e Arcade, aqui em Lyon).

- Toco frequentemente Kuduro nos meus sets e, algumas das minhas músicas são inspiradas nesse estilo musical, mas esta é a primeira vez que faço uma música de Kuduro. Gosto daquele Kuduro bastante atmosférico, mas também de Kuduro mais directo, cru. Acabei por me perder na segunda opção enquanto fazia a música, onde se consegue facilmente abordar meios tempos, por isso agarrei no autotune e fiz uma pequena parte vocal. O resto da música é muito simples – percussões de Kuduro, tiros e melodias meio épicas, meio gangsta.

- 5 temas que ouço actualmente: JAY WEED – City Staccs; VYBZ KARTEL ft POPCAAN & GAZA SLIM – Clarkes; DVA – Ganja; DJ ERICK RINCON – La Bomba; MARCUS PRICE & CARLI – Mat, Bira, Kvinnor, Weed (Kingdom Remix)

Zombies for Money (PT)

Track – Me Toca So

- Os Zombies For Money são Dj Manaia e Klipar. Apesar de termos visões diferentes da música electrónica, partilhamos o mesmo objectivo: Fazer música diferente, captando a ligação entre a World Music e a Electrónica, desde o House ao Techno.

- Foi desafiante fazer esta música. O Kuduro é muito energético e rápido. O que fizemos foi tentar fazer um Kuduro mais lento e “Me Toca Só”, foi o resultado.

- 5 temas que ouvimos actualmente: SIDNEY SAMSON “The World Is Yours”; J-WOW “O Dedo!”; BART B MORE “Romane”; KID KAIO & D-RASHID “Tarzan”; LA RIOTS “The Drop”

Tracklist

01 – MANA WASA – Nic Sarno

02 – DANCE REPORT – BOK BOK

03 – A MI A LOUCO – Douster

04 – ME TOCA SO – Zombies for Money

HARD ASS SESSIONS Vol I – DJ ZNOBIA

“O som único de Angola, via Dj Znobia, casado com a arte de Mekwa e Target, disponíveis em quatrocentas capas únicas, pintadas à mão.”

Juxtapoz Magazine

“Um projecto inspirador”

Upperplayground

Hard Ass Sessions 1 — DJ Znobia in an original limited Artist Edition from thevinylfactory on Vimeo

A primeira sessão de Hard Ass traz-nos músicas originais de Dj Znobia remisturada por Buraka Som Sistema, Baobinga & I.D. e Octa Push.

No seguimento da tradição da The Vinyl Factory e da Enchufada, em apostarem na inovação, o HARD ASS I – DJ ZNOBIA cristaliza as novas batidas de Angola, numa edição única de 400 cópias em vinil de 12 polegadas, com capas pintadas à mão.

O vinil foi impresso em super pesos pesados de 200gr, nos lendários EMI 1400 para oferecer a melhor qualidade de som do Mundo. Esta edição contempla também o download gratuito do álbum. Clica aqui para fazer o download

Dj Znobia é uma espécie de reflexo da realidade urgente de Angola e de Luanda, uma capital em constante mutação. Praticamente sozinho provocou uma revolução no Kuduro, ao ponto de se conseguir identificar claramente um “antes” e um “depois” de Dj Znobia.

Dj Znobia tem sido apontado por Buraka Som Sistema, Diplo, Radioclit e M.I.A. como sendo a força motriz para um novo som do Kuduro proveniente de Angola, e bem. A sua música é sobre isso mesmo; reinventar África. É uma espécie de mistura entre as raizes ancestrais e as novas tecnologias ocidentais, através do uso de computadores, e por vezes junta fontes aparentemente disparatadas, influências, batidas, etc. Acaba por revelar as contradições entre esta nova África e a realidade Africana.

Mekwa é um dos artistas que tem vindo a colaborar com Buraka Som Sistema desde o início. O seu trabalho é muito orientado para tocar as pessoas através do digital. Já Target, é um novo e talentoso artista de rua que tende a explorar o choque entre uma realidade própria “cartoonesca” e o ambiente urbano.

Ambos tentaram capturar a essência da agressividade dos passos de Kuduro em dois painéis de duzentas capas de vinil de 12 polegadas cada. O primeiro painel representa a rede social de milhares de dançarinos de Kuduro que se têm vindo a juntar após anos e anos de guerra. O segundo painel é meramente uma colecção aleatória de dançarinos, assumindo o centro do palco.

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